Imagens Que Curam: Remembre-se


REMEMBRE-SE

USANDO AS IMAGENS COM SUCESSO
Prática de Visualização para a Saúde Física e Mental

Gerald Epstein, M.D.

Organização de trechos por Samej Spenser


ÍNDICE


INTRODUÇÃO

Abaixo estão reunidos alguns trechos que acredito serem importantes para colocar em prática a modulação de que nosso corpo e nossa mente são capazes de proporcionar.

Sugiro leitura, meditação e prática dos/nos conteúdos reunidos abaixo e demais abordados e/ou correlacionados em conversas (pessoais e/ou virtuais).

Atenciosamente,
Samej Spenser


Remembre-se

Quando pensamos em cura, pensamos em nos tornar íntegros. Tornar-se íntegro significa juntar os pedaços, pois quando estamos doentes, encontramo-nos, de certa forma, despedaçados. Curar-se significa recuperar a integridade.

O modelo para a função curativa de recuperar a integridade foi retratado há mais de cinco mil anos, no Egito Antigo, na história do deus Osíris, que foi assassinado por seu irmão Set. Seu corpo foi desmembrado em catorze partes, e cada parte foi enterrada em uma região diferente do Egito. A esposa de Osíris, Ísis, recolheu essas partes escondidas e trouxe Osíris de volta à vida ao remembrá-lo, ao reunir todas as suas partes.

Remembrar¹ significa literalmente religar uma parte do corpo a outra. Por corpo, entenda-se o físico, o mental e o emocional. Tornar-nos íntegros engloba todos os três. Também significa recordar. Remembrar, então, é nos tornar inteiros ao recordarmos nossa integridade e ao recompor a mente e o corpo. A visualização é a maneira mental de remembrar e recordar. Ver imagens é ver inteiro: uma analogia mental do remembramento físico.²

Se saúde e integridade estão associados a remembrar, então podemos concluir que doença tem relação com esquecimento. Quando perdemos a integridade, que é o que a doença nos diz que aconteceu, esquecemos quem somos. As cirurgias podem ser tentativas de remembramento na esfera física. As visualizações são o processo análogo na esfera mental — e podem levar ao remembramento físico.

Na Antiguidade, filósofos — entre eles Platão — viam o indivíduo como um microuniverso, versão em menor escala da nação e do cosmo. O médico que trabalha com imagens mentais está alinhado à tradição holística. Qualquer ruptura no elo entre o indivíduo e um universo mais amplo — o familiar ou até mesmo o social — requer reparo ao longo de toda cadeia. Quando um indivíduo remembra sua história pessoal, ocorre um “efeito em cascata” positivo, que acaba resultando, no final, na reestruturação de toda a humanidade.

É aí que a terapia com imagens termina e a cura, no sentido de integração, começa; é aí que o “paciente” se torna “pessoa”, avançando além da cura de sintomas em direção a uma total autorrenovação; e é aí que o médico já não pode nem precisa ser um guia.


Cuidar e Curar

Cura significa o fim dos sintomas. O primeiro passo no processo da cura é dado quando você começa a se cuidar. A terapia com visualizações enfatiza que é você que tem de se ajudar a se curar, que é você quem precisa se tornar seu próprio curador na medida do possível. (Claro que se você quebrar uma perna não precisa acreditar que tudo de que necessita são algumas doses de visualização para curar a fratura.) A prática da visualização visa ajudar você a descobrir e a usar recursos pessoais, além de fornecer as ferramentas que lhe permitirão ajudar a si próprio a se curar e a reforçar o tratamento médico que porventura estiver seguindo.

Descobri que a melhor forma de ajudar meus pacientes é lhes acendendo uma centelha criativa e permitindo-lhes que encontrem o próprio caminho para a manutenção de seu equilíbrio. Eu não curo os meus pacientes; eles só podem se curar. Eu ensino a eles os exercícios de visualização, dando-lhes, assim, as ferramentas para que se cuidem. Então, está na mão dos pacientes criar os próprios remédios no ato de administrá-los.

Quando alguém está sendo guiado no trabalho de visualização, a situação não é diferente de uma conversa conduzida na linguagem das imagens. Paciente e guia estão engajados numa colaboração ativa, na qual cada ato de visualização do paciente necessita que o guia seja igualmente ativo na “recepção” dessas imagens. O resultado do envolvimento pleno daquele que imagina é que ele lembra tanto da informação intrínseca às imagens que ele evocou voluntariamente como ferramenta de cura quanto do poder que elas têm. E tudo isso é conseguido em estados normais de vigília, sem nenhuma ajuda extra do guia. O imaginador é encorajado a lembrar a imagem e o que ela sugere, a não esquecê-la e esperar por uma situação exterior ou pista subliminar que a estimule a entrar em ação.

No trabalho com visualização, quando cessam minhas instruções, o paciente se transforma em autocurador. Do mesmo modo que os exercícios físicos, as sessões de visualização são mais eficazes quando praticadas regularmente. Seus benefícios são tanto imediatos quanto cumulativos, trazendo um novo equilíbrio para o distúrbio do qual você vem sofrendo.

Conservar essa nova condição é sua responsabilidade, e é uma tarefa contínua. Pessoas que têm uma imaginação criativa e a disciplina de usá-la de um modo estruturado e frequente são mais capazes de manter a ordem e o equilíbrio do que as que apenas se deitam (literalmente) e deixam o médico ou terapeuta fazer a parte deles na sua cura. Mas qualquer pessoa pode aprender a usar as técnicas de visualização. Se permitir que sua imaginação trabalhe para você, descobrirá que se sente mais esperançoso e positivo por causa da luz interior que ela fará brilhar em sua existência.

Essa esperança é realista. A diferença entre pensamento “desejoso” e esperança realista é que o primeiro normalmente está associado a alguma experiência negativa, como a dúvida ou a ansiedade. A esperança realista não tem aspectos negativos. É uma avaliação sóbria, que geralmente traz uma sensação de paz.

Alguns pacientes não querem entrar numa relação mais igualitária com seus médicos. Agarram-se à antiga dependência, achando mais conveniente confiar na ajuda exterior. Os alienados e os solitários acham que o contato com o médico é um de seus poucos relacionamentos sociais. Eles cultivam esse contato mantendo-se no papel de doente dependente do médico para sobreviver. Sentem-se tão desamparados e sem ânimo que querem que o médico faça todo o trabalho, sem assumir responsabilidade alguma pela própria cura. Mas a visualização pode ajudar até mesmo esses pacientes a descobrir reservas interiores de força.

Diversas vezes tentei mostrar às pessoas como é importante que elas se ajudem. É claro que compreendo que quando alguém está sofrendo é difícil deixar de optar por um “conserto rápido”. Uma aspirina proporciona alívio imediato para uma dor de cabeça e lhe permite ir cuidar da vida. Mas quando você explora a dor com o olhar interior de sua imaginação descobre os significados expressos nela e pode curá-la tanto mental como fisicamente. Esses resultados são, é claro, mais duradouros e mais profundos do que aqueles resultantes de um comprimido.


A Dicotomia Mente-Corpo

Ao longo deste livro haverá frequentes referências a “corpo-mente”. Como você deve saber, muitas pessoas, inclusive a maioria dos médicos e dos cientistas, não consideram o corpo e a mente uma unidade. A partir de meados do século XVII, a ciência passou a tratar o corpo físico como uma entidade autônoma que tem pouca ou nenhuma relação com a mente ou com as emoções. Até Freud, que ajudou a sublimar o poder das emoções, e os psicólogos de hoje compartilham desse preconceito. De maneira simplista: os médicos dizem que só o corpo existe; os psicólogos dizem que as emoções existem, mas não veem conexão integral entre as emoções e a substância física do corpo.

No processo de dissociar intelectualmente o corpo da mente, ambos foram fragmentados em unidades cada vez menores, de modo que surgiram especialidades médicas rígidas para lidar com distúrbios do ouvido, do pé, do cérebro, da psique, e assim por diante. Na realidade, nunca houve uma dissociação entre a mente e o corpo, nem poderá haver. O corpo e a mente são dois aspectos da mesma experiência humana: o corpo é quantitativo, a mente é qualitativa. Desse modo, mesmo que o médico não consiga determinar o distúrbio físico que explique sua queixa e lhe diga “está tudo na sua mente”, ainda assim haverá um evento físico acontecendo. Se está na sua mente está em seu corpo também. Os dois são análogos.


O Espelho Físico-Emocional

A perspectiva corpo-mente permite-nos perceber que os sintomas físicos são um reflexo, um espelhamento das questões emocionais; os sintomas físicos estão diretamente conectados às emoções. Ou seja, o corpo é tanto físico quanto emocional. Esses dois componentes são as duas faces da mesma moeda, inseparáveis, embora um possa estar oculto enquanto o outro se manifesta visivelmente.

Perceber o físico e o emocional operando juntos pode ser extremamente benéfico, pois quanto mais você sabe sobre si mesmo, física ou emocionalmente, maior o seu autocontrole.

Tomemos como exemplo o homem que veio me procurar sofrendo de insuficiência coronariana e que, devido a isso, ficava sem ar constantemente e sentia-se fatigado. Já passara por cirurgia e submetia-se a exercícios e dietas especiais, mas mesmo assim não estava bem. Além dos sintomas físicos, queixava-se de tristeza e depressão. Ao me contar como se sentia, ele descobriu que tinha o coração partido por pensar que sua esposa não o amava. Ali estava a chave. A melancolia daquele homem não causara o problema cardíaco, da mesma forma que o problema cardíaco não era a causa da melancolia. Tanto o seu estado emocional quanto sua condição física eram expressões do sofrimento provocado pela falta de amor que havia em seu casamento. Fora nesse contexto que seu problema de saúde se manifestara. Esse problema era efeito de um distúrbio maior na vida do homem. A cirurgia havida lidado com um efeito. Agora, ele precisava confrontar a causa da sua doença.

Cada parte do corpo físico tem sua contraparte emocional. Quando percebemos o significado emocional, nos damos conta de um contexto mais amplo para nos relacionarmos com nosso corpo. Isso significa que cada sintoma ou síndrome tem uma fonte para a qual o sintoma está chamando a atenção. Sem esse conhecimento, normalmente damos pouca atenção ao processo de cura, interessados apenas em nos livrar do sintoma desagradável.

Quando o sintoma não é muito grave nada fazemos a respeito, e ele desaparece com o tempo. Nessas ocasiões, a oportunidade de crescimento oferecida pela doença é desperdiçada. Feliz ou infelizmente, dependendo do ponto de vista, os sintomas muitas vezes reaparecem ainda mais intensos, e nosso corpo-mente nos dá outra oportunidade de compreender mais claramente quem somos.

(…) Diversos desequilíbrios físico-emocionais estão ligados a relacionamentos significativos ou a questões éticas e morais. Examinar tais fatores muitas vezes nos traz alívio. Você provavelmente vai descobrir que, ao fazer algum dos exercícios de visualização que esquematizei, várias dessas questões sociais ou interpessoais emergem espontaneamente. Deixe o seu corpo e a sua mente falarem com você e permita-se ouvi-los.


Fonte: Trechos do livro “Imagens que Curam”, de Gerald Epstein, M.D., Ed. Ágora, pp. 39-44.

Receba novidades e notícias sobre a hipnose em primeira mão diretamente no seu celular. Entre para o Canal “HP News | Hipnose Prática” no Telegram:

Canal “HP News | Hipnose Prática” no Telegram

CRÉDITOS

Este material foi compilado por Samej Spenser, com trechos do livro “Imagens que Curam — Práticas de visualização para a saúde física e mental”, do Dr. Gerald Epstein, no intuito de indicar e/ou recomendar a prática das visualizações àqueles que precisam.

Em alguns trechos, você encontrará palavras riscadas, assim; isso significa que é um trecho do livro que não está reproduzido neste material, ou referente a outro trecho que, por primar pelo respeito em manter a originalidade, mantive aqui.

Você encontrará também notas de rodapé e/ou notas de fim onde inseri determinadas informações que julgo pertinentes, e notas que são do próprio livro, sejam elas do autor e/ou editor. No final de cada nota você encontra a identificação de seu autor.

Os links contidos neste material foram também inseridos por mim no intuito de auxiliar na compreensão do conteúdo, sendo, portanto, inexistentes no conteúdo original do/no livro.

Desejo ardentemente que meus esforços em digitar este material seja coroado com o alcance dos resultados que você busca.

“O simples é mais funcional!”
— Samej Spenser


É total e completamente proibida a venda e/ou cobrança pelo conteúdo e/ou distribuição deste material.


Redigido em Markdown. 💙

NOTAS


  1. Remembrar, do latim rememorare, forma antiga de relembrar. [N. T.]
  2. Este trecho está congruente com “Os Três Segredos do Cérebro”:
    1. “O cérebro só opera no presente”;
    2. “O cérebro não diferencia o real do imaginado”;
    3. “O cérebro trabalha o tempo todo para produzir o que visualiza”. [N. SS.]